Animação Pessoal, meu entendimento
"A humanidade sempre soube que os objetos são seus superiores, e procurou apenas reprimir seu complexo de inferioridade a nosso respeito. A prova disto é um dos mitos fundantes da humanidade ocidental, essa parcela da humanidade que provocou a nossa gloriosa Revolução ora em curso vitorioso." Esse trecho do texto "Animação Pessoal" de Flusser é que mais me chocou. Por ser verdadeiro e drástico. Eu não sou adepto ao ato de revolucionar. Acredito que "revoluções" por serem drásticas e normalmente, violentas, trazem mais mal do que bem ao mundo. Não sei o que o autor quis dizer exatamente com revolução. Mas realmente, o modo como levamos nossas vidas sendo completamente dominados pelos objetos, isto é, a superficialidade que eles representam, pode ser muito ruim para a humanidade como um todo e para os indivíduos no geral e isso, com certeza, é algo que deveria mudar.
É engraçado, porém, o fato do autor de narrar o texto como se fosse um objeto, na perspectiva de um. Provavelmente fez isso para criar a ironia de que nós humanos também somos objetos. Isso fica bem evidente no trecho: "Estou aludindo, obviamente, ao momento histórico, no século XIX, quando as ciências, tanto as exatas quanto as inexatas, não mais podiam progredir sem nós (objetos) e, sobretudo, sem a nossa elite, os aparelhos."
Sob essa perspectiva de objeto, falando como um, ele fala que o objetivo deles é desvalorizar a cultura. Novamente, satirizando a realidade. "Enquanto a cultura continuar a ser encarada como um conjunto de “bens”, e não como um conjunto lúdico, a nossa Revolução continuará ameaçada por reação humana. Caros camaradas: a desvalorização da cultura é a nossa tarefa suprema." Enfim, o texto tem um caráter de certa forma humorístico, satirizando a triste realidade em que a humanidade se encontra, sendo refém deles, os objetos. No geral eu gostei dessa abordagem, que demanda uma atenção maior para capturá-la e traz um alívio cômico para encarar esses problemas.
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